IPATINGA - Em menos de quatro dias foram registradas em Ipatinga três ocorrências de suicídio, sendo uma delas não consumada em virtude de um adolescente ter conseguido abrir a residência onde uma mulher havia se trancado e ateado fogo em um colchão de casal. O suicídio, que antes era visto apenas como fator negativo predominantemente ligado à saúde do individuo acometido por depressão, atualmente, garante um especialista, é visto de forma mais ampla e reconhecidamente como um problema social.
HOMENS
O psicólogo e professor universitário Carlos Eduardo Pereira, também funcionário da rede pública de saúde em Ipatinga, em entrevista concedida na tarde de ontem (9) ao "Diário Popular", informou que não se tem um perfil definido do suicida; porém, os estudos demonstram que os homens em sua grande maioria separados e sem filhos com idade superior a 40 anos estão entre os grupos mais suscetíveis a essa prática. "Essas pessoas, em alguns casos, trazem consigo uma carga emocional negativa muito grande. Acham que não têm nada mais a perder e a vida passa a não ter mais sentido", explica o psicólogo, chamando a atenção para necessidade de buscar tratamento.
JUVENTUDE
Ele lembra que a rede pública de saúde em Ipatinga disponibiliza gratuitamente psicólogos para atendimento. Basta a pessoa procurar o posto de atendimento médico mais próximo de sua residência. "Há uma falta de expectativa de vida, de projetos, de desamparo. É como se eu pensasse que nada que fizer vai dar certo", ilustrou Carlos Eduardo, alertando que, entre adolescentes, essa prática não é incomum. "A fase mais crítica é quando o menor deixa o campo seguro de proteção dos pais e se depara com inúmeras incertezas, inconformismo com as injustiças e isso influencia o comportamento do menor, podendo evoluir para algo grave, como o suicídio".
Em relação ao fato de se divulgar a ocorrência de um suicídio, o psicólogo esclarece que é preciso se atentar para o foco a ser explorado para se evitar o sensacionalismo que pode influenciar outros casos da mesma natureza.
FAMÍLIA
Outro ponto destacado pelo psicólogo é a importância do envolvimento familiar na questão. Para ele, a pessoa que tem tendência suicida, mais cedo ou tarde manifesta a vontade de cometer o auto-extermínio. "Os parentes precisam estar atentos. A pessoa que fala que vai cometer suicídio, quase sempre o faz. Se tentou uma vez, vai tentar novamente. Ela sempre acha que tudo e todos estão contra ela. O apoio familiar e o incentivo em buscar tratamento podem levar à cura", pontua Carlos Eduardo, sugerindo que o diálogo pode ser uma das portas que precisam ser abertas para a solução ou diagnóstico precoce do problema.
O padre Geraldo Ildeu, da paróquia Sagrado Coração de Jesus, do bairro Cariru, em Ipatinga, disse que, antigamente, o suicida na visão da Igreja Católica era tido como uma pessoa pecadora, que não digna da salvação. Hoje a igreja entende que trata-se de uma doença e que em muitos casos a pessoa acometida pelo problema psicológico ou neurológico não tem o poder de escolha. fonte: Diário Popular
Três ocorrências de suicídio em Ipatinga: Para psicólogo e padre, tratamento é o caminho
às 10:09
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