| foto: Lairto Martins/JVA online |
TIMÓTEO - Uma família no Bairro Ana Rita acusa o Hospital e Maternidade Vital Brazil (HMVB) de negligência médica no tratamento da funcionária pública Helena Maria Abreu Morais, de 58 anos. Segundo Agostinho Agripino Morais, 61, seu marido, o primeiro atendimento à esposa, no dia 10 de maio, não teria sido realizado de forma correta. A paciente foi diagnosticada com dengue, mas seu atestado de óbito mostra como causas da morte falência múltipla dos órgãos, peritonite grave (inflamação no abdômen), abdômen agudo perfurativo e choque séptico, além da dengue clássica.
Ainda conforme relato do marido, a mulher foi mandada para casa após o diagnóstico de dengue, mesmo reclamando de fortes dores abdominais. Contudo, segundo o HMVB, ela não retornou após os dois dias especificados no atestado médico para fazer outros exames, voltando apenas no dia 18, três dias antes de morrer.
Agostinho e Helena foram casados por 38 anos. Tiveram quatro filhos e estavam caminhando para o quinto neto. No último dia 10, Helena reclamou de dores fortes pelo corpo. De acordo com a assessoria de Comunicação da Prefeitura de Timóteo, Helena havia apresentado sintomas de dengue três dias antes, mas só foi procurar um hospital para tratamento após as dores no abdômen. Ela foi levada para o HMVB, onde foi atendida pelo médico Abner de Araújo. Segundo seu esposo, quando descobriram que ela tinha dengue, mudaram o tratamento. “Quando a gente chegou, colocaram-na no soro e deram Buscopan. Depois, quando descobriram a dengue, tiraram o soro e mudaram o medicamento para Novalgina, além de falarem para ingerir muito líquido. Ela pegou três dias de licença. Ela estava mais preocupada com a licença do que com a doença”, disse Agostinho, que explicou que, nesta primeira consulta, foi feito apenas um hemograma.O atestado passado pelo médico determinava que dona Helena deveria voltar ao hospital dois dias depois, no dia 12 (quinta-feira). Porém, ela ainda reclamava de dores e pediu para ser levada na Unidade de Pronto Atendimento do Bairro Olaria (UPA). Conforme narra o marido, ela se mantinha mais preocupada com a licença do que com as dores. “Ela entrou, eu não pude acompanhar. Aí liberaram ela, deram dois dias de licença e a mandaram embora. Ela queria mais dias de licença, porém a assistente social disse que o médico não daria mais dias”, lembrou Agostinho.
Dores diminuem e voltam
No dia 19 (o HMVB afirmou que ela retornou no dia 18), dona Helena teria pedido a Agostinho para passear um pouco, já que ele ficava muito tempo em casa cuidando dela. Ela disse que dobraria umas roupas, e que Agostinho, quando voltasse, as guardaria, porque ela não tinha forças para carregar peso. Ainda sentia dores no estômago. Então, enquanto Agostinho estava na rua, uma de suas filhas ligou, falando que a mãe não estava agüentando de dores. “Ela não agüentou que eu a pegasse no colo. Se ameaçavam encostar nela ela já gemia de dor. Levei ela para o Hospital Márcio Cunha, por imaginar que o atendimento lá seria melhor, mas não encontrei vagas. Voltei com ela pra Timóteo e entramos novamente no HMVB. Lá, o doutor Vinícius nos atendeu muito bem. Ela não estava agüentando respirar, com a barriga prestes a explodir. Foi a primeira vez que ela fez o ultra-som. Por causa do plantão, ela trocou de médico, passou pelo doutor Zé Fernando e pelo Humberto. Todos a trataram bem, e o doutor Umberto disse que o caso dela era grave. Que precisaria de uma cirurgia. O estômago dela havia estourado e infeccionou outros órgãos. O doutor disse que ela tinha 70% de chances de sobreviver. E ele disse também que a dengue era o de menos”, narrou o esposo.
Últimas palavras
Depois disto, Agostinho teve que informar dona Helena de que ela ficaria internada e que teria que passar por cirurgia. “Ela tinha medo de cirurgia. Disse que não queria, mas tinha que fazer. A última coisa que eu ouvi dela foi ‘reza por mim’. Aí ela foi para a UTI. Depois, o Dr. Humberto disse que o caso era ainda mais grave do que ele pensava. Muitos dos órgãos internos dela estavam tomados por pus”, contou Agostinho. Dona Helena então morreu no dia 21, às 18h30.
Hospital entende que demora de retorno foi determinante para óbito
De acordo com a assessoria do Hospital e Maternidade Vital Brazil, o médico seguiu o atendimento padrão para casos de dengue clássica. Eles informaram que ela chegou no dia 10, e o Dr. Abner a avaliou, fazendo o exame de plaquetas (plaquetopenia). Com este exame, identificaram que ela estava com a dengue clássica. A orientação que todos os profissionais do hospital têm é que, em casos de dengue clássica, sem vômito e sangramento, o paciente deve ser encaminhado para casa, ingerir bastante líquido, tomar a medicação recomendada e retornar após 48h para o acompanhamento. O hospital afirma que, se dona Helena tivesse voltado após o período determinado, os outros exames seriam realizados. “Ela voltou oito dias depois, com o quadro praticamente irreversível”, informa o HMVB. A assessoria do hospital reafirma que o fator determinante nesta situação foi o não retorno da paciente na data especificada.
Nota da Prefeitura
A assessoria de Comunicação da Prefeitura de Timóteo esclareceu que todas as medidas que são de responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde foram tomadas. E que o falecimento da mulher aconteceu no Hospital Vital Brazil por complicações que não foram oriundas da dengue. A Secretaria de Saúde também faz um alerta aos moradores sobre a importância da manutenção da limpeza das residências, com a eliminação de possíveis recipientes que possam acumular água. Conforme levantamento da Seção de Zoonoses, 87% dos focos do mosquito estão dentro das casas. Além dos serviços de limpeza e coleta de entulho, a Prefeitura de Timóteo lançou o projeto Cidade Limpa no ano passado, que compreende um mutirão de limpeza e oferta de serviços abrangendo as regionais. “O sucesso deste trabalho depende da responsabilidade de cada cidadão em cuidar de sua própria moradia”, ressalta a prefeitura.
Ainda conforme relato do marido, a mulher foi mandada para casa após o diagnóstico de dengue, mesmo reclamando de fortes dores abdominais. Contudo, segundo o HMVB, ela não retornou após os dois dias especificados no atestado médico para fazer outros exames, voltando apenas no dia 18, três dias antes de morrer.
Agostinho e Helena foram casados por 38 anos. Tiveram quatro filhos e estavam caminhando para o quinto neto. No último dia 10, Helena reclamou de dores fortes pelo corpo. De acordo com a assessoria de Comunicação da Prefeitura de Timóteo, Helena havia apresentado sintomas de dengue três dias antes, mas só foi procurar um hospital para tratamento após as dores no abdômen. Ela foi levada para o HMVB, onde foi atendida pelo médico Abner de Araújo. Segundo seu esposo, quando descobriram que ela tinha dengue, mudaram o tratamento. “Quando a gente chegou, colocaram-na no soro e deram Buscopan. Depois, quando descobriram a dengue, tiraram o soro e mudaram o medicamento para Novalgina, além de falarem para ingerir muito líquido. Ela pegou três dias de licença. Ela estava mais preocupada com a licença do que com a doença”, disse Agostinho, que explicou que, nesta primeira consulta, foi feito apenas um hemograma.O atestado passado pelo médico determinava que dona Helena deveria voltar ao hospital dois dias depois, no dia 12 (quinta-feira). Porém, ela ainda reclamava de dores e pediu para ser levada na Unidade de Pronto Atendimento do Bairro Olaria (UPA). Conforme narra o marido, ela se mantinha mais preocupada com a licença do que com as dores. “Ela entrou, eu não pude acompanhar. Aí liberaram ela, deram dois dias de licença e a mandaram embora. Ela queria mais dias de licença, porém a assistente social disse que o médico não daria mais dias”, lembrou Agostinho.
Dores diminuem e voltam
No dia 19 (o HMVB afirmou que ela retornou no dia 18), dona Helena teria pedido a Agostinho para passear um pouco, já que ele ficava muito tempo em casa cuidando dela. Ela disse que dobraria umas roupas, e que Agostinho, quando voltasse, as guardaria, porque ela não tinha forças para carregar peso. Ainda sentia dores no estômago. Então, enquanto Agostinho estava na rua, uma de suas filhas ligou, falando que a mãe não estava agüentando de dores. “Ela não agüentou que eu a pegasse no colo. Se ameaçavam encostar nela ela já gemia de dor. Levei ela para o Hospital Márcio Cunha, por imaginar que o atendimento lá seria melhor, mas não encontrei vagas. Voltei com ela pra Timóteo e entramos novamente no HMVB. Lá, o doutor Vinícius nos atendeu muito bem. Ela não estava agüentando respirar, com a barriga prestes a explodir. Foi a primeira vez que ela fez o ultra-som. Por causa do plantão, ela trocou de médico, passou pelo doutor Zé Fernando e pelo Humberto. Todos a trataram bem, e o doutor Umberto disse que o caso dela era grave. Que precisaria de uma cirurgia. O estômago dela havia estourado e infeccionou outros órgãos. O doutor disse que ela tinha 70% de chances de sobreviver. E ele disse também que a dengue era o de menos”, narrou o esposo.
Últimas palavras
Depois disto, Agostinho teve que informar dona Helena de que ela ficaria internada e que teria que passar por cirurgia. “Ela tinha medo de cirurgia. Disse que não queria, mas tinha que fazer. A última coisa que eu ouvi dela foi ‘reza por mim’. Aí ela foi para a UTI. Depois, o Dr. Humberto disse que o caso era ainda mais grave do que ele pensava. Muitos dos órgãos internos dela estavam tomados por pus”, contou Agostinho. Dona Helena então morreu no dia 21, às 18h30.
Hospital entende que demora de retorno foi determinante para óbito
De acordo com a assessoria do Hospital e Maternidade Vital Brazil, o médico seguiu o atendimento padrão para casos de dengue clássica. Eles informaram que ela chegou no dia 10, e o Dr. Abner a avaliou, fazendo o exame de plaquetas (plaquetopenia). Com este exame, identificaram que ela estava com a dengue clássica. A orientação que todos os profissionais do hospital têm é que, em casos de dengue clássica, sem vômito e sangramento, o paciente deve ser encaminhado para casa, ingerir bastante líquido, tomar a medicação recomendada e retornar após 48h para o acompanhamento. O hospital afirma que, se dona Helena tivesse voltado após o período determinado, os outros exames seriam realizados. “Ela voltou oito dias depois, com o quadro praticamente irreversível”, informa o HMVB. A assessoria do hospital reafirma que o fator determinante nesta situação foi o não retorno da paciente na data especificada.
Nota da Prefeitura
A assessoria de Comunicação da Prefeitura de Timóteo esclareceu que todas as medidas que são de responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde foram tomadas. E que o falecimento da mulher aconteceu no Hospital Vital Brazil por complicações que não foram oriundas da dengue. A Secretaria de Saúde também faz um alerta aos moradores sobre a importância da manutenção da limpeza das residências, com a eliminação de possíveis recipientes que possam acumular água. Conforme levantamento da Seção de Zoonoses, 87% dos focos do mosquito estão dentro das casas. Além dos serviços de limpeza e coleta de entulho, a Prefeitura de Timóteo lançou o projeto Cidade Limpa no ano passado, que compreende um mutirão de limpeza e oferta de serviços abrangendo as regionais. “O sucesso deste trabalho depende da responsabilidade de cada cidadão em cuidar de sua própria moradia”, ressalta a prefeitura.
Fonte: JVA online
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