Criança é envenenada com chumbinho no achocolatado

IPATINGA - A Delegacia de Homicídios da Polícia Civil de Ipatinga investiga uma tentativa de homicídio contra uma criança de 7 anos. Dessa vez o crime não foi com arma de fogo, mas sim com chumbinho, veneno usado para exterminar rato. A suspeita do crime recaiu sobre a mãe do garoto. A substância foi encontrada por policiais militares dentro do achocolatado servido à criança. O caso só foi descoberto através de um relatório feito pelo Hospital Municipal de Ipatinga ao Conselho Tutelar. 
Em conversa com a reportagem, a mãe do garoto disse que ele deu entrada no pronto-socorro por volta das 14h na última sexta-feira (13), com um quadro de parada cardíaca. Ele foi socorrido por uma ambulância do SAMU. 
"Meu filho estava na casa da avó desde quinta-feira. Ele dorme lá porque é mais perto de onde estuda. Quando chegou da escola na sexta, por volta das 11h, ofereci almoço, mas ele disse que não estava com fome. Então disse que ele devia tomar suco ou leite, foi aí que ele escolheu o leite com chocolate. Preparei o leite, e ele tomou. Após 10 minutos que ele tomou o alimento começou a passar mal", contou.

DEMORA
Como o estado do garoto só piorava, a mãe acionou o SAMU e ele foi levado para o pronto-socorro, onde ficou internado até segunda-feira (16). A mãe assumiu ter demorado a chamar o serviço de emergência. 
A mulher relatou que o médico que atendeu seu filho informou que o exame feito no garoto acusou que ele tinha sido envenenado. Após receber alta, o menino foi encaminhado pelo Conselho Tutelar para casa de um tio até que o caso seja esclarecido.
Ao ser comunicada de que era suspeita de ter cometido tentativa de homicídio, a mãe da vítima disse que está separada do esposo e que várias pessoas poderiam ter feito isso para incriminá-la. 

INVESTIGAÇÃO
A Assessoria de Comunicação da Administração Municipal confirmou que o caso foi denunciado ao Conselho Tutelar pela equipe médica do Hospital. O órgão de proteção aos direitos da criança e do adolescente acionou a Polícia Militar para averiguar as denúncias.
Quem acompanhou o caso foi o cabo Edmilson da Silva Marques. Ele esteve na residência da avó do garoto na manhã de terça-feira (17) e recolheu o pote de achocolatado.
"Quando chegamos ao local encontramos lá a mãe da criança e a avó materna. Com a autorização delas, fizemos buscas para ver se encontrávamos algum resíduo desse material. Só que não encontramos nada, apenas a lata com o achocolatado", falou.

DESCONFIADO
A avó contou aos militares que no domingo ela e outro neto também tomaram do chocolate e passaram mal. Como desconfiou que houvesse alguma coisa na lata, ela escondeu o produto em um local onde outras pessoas não tivessem acesso.
"Numa observação superficial, vimos que o aspecto do pó era diferente, no meio encontramos algo granulado e arredondado, da cor escura, diferente do produto normal. 
Recolhemos o produto e entregamos na Delegacia, o perito vai fazer a avaliação do que realmente tem dentro da lata", relatou.

DENÚNCIA 
O cabo Edmilson disse também que uma denúncia anônima foi feita ao Conselho Tutelar informando a mesma situação, porém acrescentando que a responsável pelo envenenamento seria a mãe da criança. 
"Conversando com a avó, ela nos relatou que pela manhã ela ofereceu à criança um leite com o chocolate. A criança tomou e foi para a escola. Enquanto o filho estava escola, a mãe dele chegou na casa dela. Quem foi buscar o garoto na escola foi a avó, ela deixou a mãe do garoto na sua casa esperando por ele", revelou o militar.
Como a PM só soube do fato três dias após o menino ter passado mal, as investigações podem ter sido comprometidas pela demora. 
"A família não comunicou o fato à polícia, e isso prejudicou a possibilidade de fazermos os levantamentos no horário do fato. Se a Polícia Civil também tivesse tomado conhecimento mais rápido, teria condições de efetuar um serviço de mais qualidade e dado uma resposta mais rápida à investigação", avaliou.


Fonte: Diário Popular

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