Prisões por drogas aumentam no Vale do Aço

Segundo a PM é resultado de um trabalho conjunto entre as polícias e a comunidade.


André Amaral, comerciante, gastou com crack R$ 100 mil, em apenas um ano. Segundo ele tudo o que tinha de valor foi perdido: o carro novo e a loja. O comerciante conseguiu dar a volta por cima com muita força de vontade e o apoio da família. Ele disse que estava acabando com sua vida e que pelo fato da família não desistir, conseguiu abandonar o vício.

Nas três maiores cidades do Vale do Aço, há dez clínicas de recuperação para viciados em drogas, entre gratuitas e particulares. Nós fomos na Associação Missão Resgate, em Ipatinga. O coordenador é o Sr. Onézio de Barros. Ele foi dependente químico e conseguiu vencer a batalha contra as drogas. Há 19 anos, se dedica a ajudar outras pessoas a abandonarem o vício. 

Mas esbarra nas dificuldades financeiras, o convênio com a Prefeitura de Ipatinga foi cortado pela metade. Um psicólogo é o único profissional remunerado. Os outros poucos especialistas são voluntários e nem sempre podem estar a disposição. Ele conta que tem conseguido recuperar algumas pessoas, porém não chegaram à meta que ele quer. Porque faltam recursos para a contratação de outros profissionais.

Para o psicólogo e psicanalista Amâncio Borges, não houve tempo e empenho suficiente do governo para fazer com que os recursos para programas antidrogas chegassem às cidades, para serem repassados às instituições.

Nos quatro primeiros meses deste ano a polícia militar conseguiu prender 380 pessoas suspeitas de tráfico de drogas. Número 15% maior que no mesmo período do ano passado. Segundo a polícia, o trabalho ostensivo de combate a criminalidade teve como consequência a diminuição da quantidade de drogas em circulação. Na comparação entre janeiro e abril deste ano e a mesma época do 2010, houve queda de 64 % nas apreensões de maconha, 92% de crack e 72% de cocaína. 

Para o delegado Thiago Alves Henriques, a solução definitiva para o problema passa por um combate mais efetivo ao tráfico de drogas nas fronteiras. Segundo ele, as drogas vêm de outros países, por isso deveria ter um empenho maior na fiscalização das fronteira do país. Bem como um investimento maior na polícia rodoviária federal para que essas drogas não tenham como chegar às cidades brasileiras.

Quem já viveu o drama da dependência química cobra mais agilidade das autoridades. André fala que os governantes estão fazendo muito marketing e estão esquecendo do combate frontal com o crack.

Em nota, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Ipatinga disse que o valor é passado as casas de apoio aos dependentes químicos conforme resolução do Conselho Municipal de Assistência Social. Disse ainda que o caso da 'Missão Resgate' a quantia é referente a dez internos. A forma de repasse foi alterada e atualmente, a instituição recebe a cada dois meses.

Fonte: In360

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