Polícia faz acareação com assassino de travesti

FABRICIANO - O executor confesso do travesti Raissa, Roney de Oliveira Bramusse, foi novamente ouvido na tarde de quarta-feira (15), pelos delegados Gustavo Cecílio e Daniel Araújo. Eles promoveram uma acareação entre o autor e suposto mandante, identificado apenas pelo nome de Fábio, após constatarem divergências entre os depoimentos.
No momento em que foi preso em Espera Feliz, município próximo a Manhuaçu, Roney apresentou uma versão dos fatos na qual ele era o executor, mas teria praticado o homicídio a mando de Fábio. Contudo, o suposto mandante negou qualquer envolvimento com o crime.
"O serviço de investigação da Polícia Civil identificou essa pessoa. Ele esteve na delegacia e prestou esclarecimentos. Mas, ambos sustentam suas versões, o que nos foi bastante produtivo. Os novos depoimentos indiciaram novas testemunhas que serão qualificadas e ouvidas, o que deve acrescentar novas informações ao caso", afirmou.
Os delegados acreditam que as novas apurações devem apontar quem falou a verdade sobre os fatos. Até o momento as investigações confirmaram que Fábio esteve com Roney no dia do crime.

DIVERGÊNCIAS 
Em entrevista à reportagem no dia 19 de abril, data em que foi preso, Roney contou que o suposto mandante do homicídio esperava por ele do lado de fora do motel depois do crime. Inclusive, ele teria ligado para o mandante após o assassinato. 


Ele disse que antes do assassinato uma mulher esteve com ele e Fábio rapidamente, em um bar próximo ao local onde ele estudava. Após sair da universidade, o autor alegou que se deslocou com Fábio para uma lanchonete no bairro Cariru, em Ipatinga. 


Diferente do que foi dito naquela época, na acareação Roney relatou que Fábio não estava na porta do motel, em Coronel Fabriciano. Ele negou que tenha ligado para Fábio na noite do crime. A mulher que esteve com os dois na porta da faculdade permaneceu na companhia deles por mais de duas horas. Após saírem do local, Roney sustentou a versão de que foi com Fábio a uma lanchonete no bairro Caravelas.


O autor disse também que no dia do crime Fábio lhe deu uma faca para matar o travesti. Já na acareação ele disse que o suposto mandante tinha um revólver no porta-luvas de seu veículo.
Enquanto esteve foragido Roney disse que quase não tinha contato com sua família. A nova versão dele era que falava todos os dias com a sua esposa e filhos.

O CRIME
O travesti Ronaldo Sabino - mais conhecido como "Raissa" -, foi morto numa suíte do motel Calypso, situado no bairro Mangueiras em Coronel Fabriciano em 9 de novembro de 2010.


A vítima foi encontrada por funcionários do motel e já sem vida próximo à garagem de acesso ao interior da suíte número 219. Eles chegaram ao motel à 1h da madrugada e o assassinato aconteceu por volta das 2h. Eles pediram sabonete, cigarros e cervejas. 


Ronaldo chegou a gritar por várias vezes no momento em que entrou em luta corporal com Roney. Foram constatados três cortes profundos no corpo de Ronaldo provocados por uma navalha com aproximadamente 15 centímetros de lâmina. A arma usada no crime foi deixada no pátio do motel. 
Fonte: Diário Popular

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