TRAGÉDIA LEMBRA FILME DE TERROR - Vizinhos e policiais ficaram chocados ao acharem homem enforcado e família degolada

"Um cenário de filme de terror". Assim o delegado Magno Machado Nogueira descreveu o que viu ontem ao entrar na casa do comerciante Nivaldo das Graças Moura, de 49 anos. Depois de degolar os dois filhos, de 9 e 15 anos, e a mulher, de 46, Moura suicidou-se com uma corda amarrada ao pescoço. A morte em família parou a cidade de Conceição do Mato Dentro, município de pouco mais de 18 mil habitantes na região Central do Estado.
O enterro de pai, mãe e filhos está marcado para hoje, às 10h.
Um após o outro, os corpos foram liberados ontem à tarde. Os caixões foram colocados lado a lado no salão da Câmara Municipal para o velório. Uma multidão acompanhou o início da cerimônia.
Vizinhos, amigos e parentes da família estavam aterrorizados. Muitos comentavam que não entendiam a atitude do comerciante. Uma depressão profunda, no entanto, de acordo com algumas testemunhas, seria o motivo do crime seguido de suicídio.
Nivaldo era um dos comerciantes mais queridos da cidade.
ChoqueOs moradores de Conceição do Mato Dentro, localizada a 187 km de Belo Horizonte, amanheceram em estado de choque ontem. Por volta das 7h, funcionários do supermercado Moura, localizado no bairro Brejo, encontraram o corpo do proprietário enforcado na varanda do segundo andar do sobrado, que abrigava ao mesmo tempo a casa da família e o supermercado onde trabalhavam.
Ao acionarem a polícia se depararam com uma cena ainda mais trágica. A mulher do comerciante Livalda Elizabeth Silva Moura e os filhos do casal, Diego Silva Moura, de 15 anos, e Mateus Silva Moura, de 9, degolados. "A cena que vimos chocou até a nós da polícia. Era um cenário de filme de terror", disse o delegado Magno Nogueira. Os filhos e a mulher de Nivaldo foram encontrados cada um em seu próprio quarto. Aparentemente teriam sido mortos dormindo, sem ter como esboçar nenhuma forma de reação ao ataque.
Como nada foi roubado e a porta não foi arrombada, a polícia acredita que o comerciante tenha matado a família e depois se matado. O delegado acredita que Nivaldo tenha usado uma faca de açougue encontrada ensanguentada na cozinha. A arma foi enviada a Guanhães, no Vale do Rio Doce, para confirmar se as digitais pertenciam mesmo ao comerciante.

Comerciante estaria deprimido
Amigo de Nivaldo há mais de 20 anos, Luiz Cláudio Vicente de Lima, não se conformava. Ele contou que o amigo – que era conhecido por sua calma e tranquilidade – há cerca de 20 dias lutava contra uma forte crise de depressão. Anteontem, o comerciante teria ido a Guanhães para uma consulta psicológica, mas desistiu de esperar o médico que teria ido atender um paciente em outra cidade. "É contraditório. Ele estava expandindo os negócios, ia abrir uma padaria, mas estava preocupado, ansioso", disse. Vizinhos, que não quiseram se identificar, contaram que ninguém nunca havia presenciado Nivaldo brigar com alguém. Ele era classificado como um homem brincalhão e amoroso com os filhos e com a mulher. Mas a depressão teria deixado Livalda Elizabeth preocupada. Ela teria confidenciado a amigos que pensava em levar o marido a um psiquiatra, mas que temia que os médicos o dopassem.
O choque dos moradores da cidade foi tamanho que vários estabelecimentos permaneceram fechados todo o dia. O alto-falante da igreja anunciava o velório da família. (MS)
MINIENTREVISTA
"Ninguém é normal"
Orestes Diniz Neto prof. de psicologia UFMG
Quais fatores podem desencadear atitudes de extrema agressividade em indivíduos aparentemente normais?
Só uma perícia poderia indicar o que pode ter levado a pessoa a tomar tal atitude. Nessa avaliação, além de depoimentos e testemunhos de amigos e familiares, é levado em conta aspectos da cena do crime que esclareçam se o crime foi planejado.

O que também deve se levar em conta?
Aspectos culturais e sociais que podem desencadear crises de agressividade, como crises financeiras, no casamento, conflitos familiares ou até o uso de drogas. A figura do indivíduo normal é um mito. Freud já mostrou que todos nós temos nossas neuroses. Qualquer um de nós pode matar, mesmo sendo aparentemente normal. Basta que estejamos sob determinadas condições de estresse.

Fonte: O Tempo

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