Babás estão mais caras e em falta no mercado de trabalho

Remuneração. Andreia Soares recebe R$ 5.000 mensais de uma família de classe alta de São Paulo
LALO DE ALMEIDA/THE NEW YORK TIMES

Babás são profissionais cada vez mais raras e caras no Brasil. O que muitas mães constatam no dia-a-dia ganhou as páginas do jornal norte-americano "New York Times" que, em sua edição de ontem, mostrou o "sumiço" dessas profissionais. Segundo a publicação dos Estados Unidos, com o avanço econômico e o crescimento da classe média, há menos pessoas disponíveis para exercer a função e, as que permanecem na profissão, cobram cada vez mais e fazem exigências, como não dormir no emprego e ter folgas nos fins de semana.

"Tem gente que paga mais de R$ 5.000 por mês para uma babá", diz a responsável pelas franquias da Kanguruh, uma das maiores agências brasileiras do ramo, Melina Yacovazzo. Ela diz que esses são casos extremos mas que, na média, os salários estão mesmo aumentando. Segundo Melina, os ganhos de uma profissional variam de R$ 900 a R$ 1.700. Há cinco anos, os valores iam de R$ 600 a R$ 1.000. "Quando alguém chegava querendo ganhar R$ 1.100, a gente já achava estranho", lembra.

De acordo com o "New York Times", entre 2003 e 2009, os salários das babás tiveram 34% de ganho real, mais do que o dobro da média dos outros trabalhadores brasileiros. Melina Yacovazzo diz que essa "inflação" é provocada pela demanda. Com a maioria das mulheres trabalhando fora, a necessidade de ter babás aumenta. "Elas (as babás) sabem disso e também vão muito pelo que as colegas estão ganhando", diz.

A gerente financeira Vanessa Sotero de Oliveira conhece essa realidade. Ela trabalha das 8h às 18h e, quando seu filho Renato nasceu, há nove meses e meio, já estava com uma babá morando na casa dela há dois meses. "Babá é difícil. Fiz 12 entrevistas, fora as que eu conversei pelo telefone", contou ela, que contratou a babá que trabalhava para uma colega.

Para fazer a comida, lavar a roupa, passar e manter o armário de Renato arrumado, Vanessa Sotero gasta dois salários mínimos e meio mensais com a babá (R$ 1.362), fora o pagamento de uma empregada para a arrumação da casa em geral.

"Eu assino a carteira dela, que mora na minha casa", disse Vanessa, que pretende ficar com a babá por mais dois anos. Em agosto, quando Renato estiver com um ano, ele vai para a escola. "Babá é um pesadelo, tem que bajular o tempo inteiro, senão ela vai embora. Como é uma pessoa de confiança, tenho que passar por cima de uma série de coisas", contou. "Ela come, dorme, toma banho lá em casa. Minha conta de luz era R$ 180 e agora é de R$ 310", disse Vanessa.

Concorrência. Com a mão de obra escassa, Vanessa contou que sempre tem uma outra mãe querendo tirar a babá dela. Quando está muito cansada no fim de semana, Vanessa ainda contrata uma diarista para ficar com Renato. Paga R$ 80, por 12 horas. "Nos dois primeiros meses de vida do Renato, eu contratei uma enfermeira e paguei cinco salários mínimos por mês", disse Vanessa.

DICAS
Cautela é fundamental para contratar bem
Para contratar uma boa babá é preciso tomar diversos cuidados, alerta Melina Yacovazzo, da Kanguruh. Entre eles, checar as referências, se possível, pessoalmente, fazer uma longa e detalhada entrevista com a candidata e deixar claro o que se espera da profissional. "Essa primeira conversa é muito importante", diz Melina.

Direitos. A profissão de [babá é regulamentada desde a década de 1970 pela lei nº 5869/1972. O advogado trabalhista do escritório Décio Freire Associados, Marcos Antônio de Jesus, disse que a legislação para a babá é a da empregada doméstica, com algumas exceções.


"A babá não tem direito a hora-extra e não é obrigatório o recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)", explicou Marcos Antônio. A babá tem direitos como férias, 13º salário e seguro-desemprego assegurados.






Saiba mais
Exigências mais comuns dos patrões e direitos das babás:

Referências de empregos anteriores, que devem ser checadas
Endereço fixo e telefone para contato (também deve ser checado)
Nada consta das polícias civil e militar
Curso com noções de cuidados com bebês e crianças, segurança e ética, oferecido, normalmente, por agências
Tem todos os direitos trabalhistas garantidos, com exceção da hora-extra. O recolhimento de FGTS não é obrigatório
ASSALARIADO
Mais direitos do que nos EUA
RIO de janeiro. Ao colocar lado a lado os dois maiores mercados de trabalho das Américas, um estudo inédito feito pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) revela que o assalariado brasileiro tem mais proteção social do que o dos Estados Unidos e que o perfil de geração de empregos nos EUA foi pior que o brasileiro ao longo da década passada, antes da crise de 2008.

Nos Estados Unidos, a oferta de trabalho está concentrada no varejo. Lá, a jornada é de 44 horas por semana. Os trabalhadores não têm direito a férias, ao atendimento de saúde, e à previdência. Nos EUA, as férias pagas não são obrigatórias.

No Brasil, o número de empregados do setor privado com proteção previdenciária chega a 68,17%; enquanto dos EUA este percentual é de apenas 39,8%.

Fonte: O Tempo

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